BOCA
(João Vinícius)
O que sai da minha boca entra na sua
da sua boca, processada, expele-se por outra
absorvida por outra maior ainda.
Depois da descarga, não contente, este produto tão mutável
de boca em boca esvai-se noutra sem quebrar a corrente,
mas de repente desagua mar adentro e decompõe-se solene
é alimento para outras bocas.
Quando não, o que sai desta, soa como soco na boca do seu estômago
de uma boca para outra, este triângulo oral frutifica
poesia porcaria no ralo ou na pia.
Mas nem sempre desta boca soa excrementos
libera argumentos que, percorrendo teus aparelhos
cardíaco e auditivo, a depender do convencimento
broto palavras e colho sentimentos
fazendo com que, por ironia, a sua boca encontre a minha.
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