PRA MIM, PRA VOCÊ
(João Vinícius)
Agora que não há mais ninguém aqui
uma batida me veio aos ouvidos
uma tentativa de fingir
resfriar todos os sentidos
um presente tardio
Como batidas na porta
as lembranças te insistem
mas nada disso importa
Separando os graúdos
não quero retrato,
imagem não consola
não quero lembrança
nada de fato, apenas fado
um trecho de música pra mim
outro pra você
meio a meio como tinha de ser
do início ao fim
do vaso ao raso
do céu ao espaço
com os pés ou com os braços
fato é fato
contra os fados não há argumentos
Uma fumaça que faça
o caminho que traça
o caminho de um canhão de luz
uma imagem que comprove que Jesus morreu na cruz
Nada impossivel, um pouco de Tom Cruise
Feio é não ser
belo, morrer de amor
Literário, matar o amor
Cinematográfico, viver de amor
A vida imita a arte
mas a nossa arte não tem mais vida
Nosso filme, sem diretor
Nosso livro, sem escritor
Nossa beleza, sem amor
nossa feiura, apenas é.
No calor do momento,
a palma da mão gelada
a saliva nos falta
o seu olhar é um tormento
Argumentos baratos
Um beijo?
Isso não combina
Sentimento?
melhor nem conhecê-lo
Um nivel razoável de tesão
Já basta.
Pra mim, um pouco de balanço
Pra você, menos swing
Pra mim, toda a nossa razão
Pra você, menos contradição
Pra mim, o limite é céu
Pra você o ponto de partida é o chão
Pra nós, nada de saudade.
Uma melodia pra mim
uma letra pra você
meio a meio, como desde início
a gente tinha de ser.
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